Em Portugal, a marmelada é uma das doçarias mais queridas do outono. Faz-se com marmelos, um fruto duro, perfumado e muito ácido quando cru, que só revela o seu melhor depois de cozido com açúcar durante muito tempo. O resultado é uma pasta firme, de cor âmbar, que se corta em fatias e se serve com queijo ou no pão. É um trabalho paciente, mas quem o experimenta raramente deixa de o repetir.
Escolha marmelos maduros, amarelos e sem manchas escuras, e lave-os muito bem. Corte-os em pedaços, retire o centro duro e cozinhe-os em água até ficarem macios, seguindo uma receita em que confie. Passe depois a polpa por um passe-vite ou triture-a, até obter um puré liso. A quantidade de açúcar e o modo de cozedura fazem toda a diferença, por isso não invente e respeite a receita.
A cozedura lenta
Depois de adicionar o açúcar, a pasta cozinha devagar, mexendo com frequência, até ficar espessa e brilhante. Tenha muito cuidado, porque a marmelada salpica e queima gravemente. Use um tacho largo, uma colher de pau comprida e mantenha as crianças afastadas do fogão. A pasta está pronta quando, ao passar a colher pelo fundo, se vê o tacho por instantes. O resto depende da sua receita.
Deite a pasta em formas ou tabuleiros limpos, forrados ou untados conforme a receita, e deixe arrefecer completamente e endurecer. Depois corte em cubos ou fatias e, se quiser, passe por açúcar. Envolva em papel vegetal e guarde numa caixa limpa e seca, num lugar fresco. Os frascos e as caixas devem estar lavados, enxaguados e completamente secos, sem rachas nem tampas enferrujadas.
Verifique de vez em quando as peças guardadas. Se tiverem cheiro estranho, aspeto diferente, bolor ou se a tampa estiver abaulada, deite-as fora sem hesitar. Uma vez cortada, a marmelada deve ser guardada no frigorífico. A marmelada é excelente com queijo fresco ou curado, em torradas, ou como recheio de bolos. Uma caixa bem embrulhada, com um cartão escrito à mão, é um presente muito apreciado, sobretudo nas festas do inverno.